quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Cristão também paga imposto


Ouço, não sem discordar, as manifestações contrárias a investimentos dos governos a eventos religiosos. Afinal, dizem os críticos, o Estado é laico e, portanto, não deveria dispensar recursos para tais atos. O problema é que, indistintamente, os fiéis das diversas denominações contribuem para o bolo financeiro da nação, para usufruir de todos os bens construídos pelo país, incluso aí a educação, a saúde e a cultura.

É verdade que muita gente não está nem aí para cantores evangélicos como Aline Barros, Thales Roberto (ex-integrante do Jota Quest), André e Ana Paula Valadão. E muita gente não se importa mesmo com músicos católicos como Walmir Alencar, Padre Marcelo, Adriana. Mas é preciso considerar também que muitos cristãos não querem nem ouvir falar de Caetano, Gil, Lenine, Michel Teló, Paula Fernandes, Roberto Carlos ou qualquer outro músico secular. Um não faz parte do universo do outro, da cultura do outro.

Se antigamente minha mãe cantarolava Diana ou Odair José durante suas atividades domésticas, hoje a mãe dos meus filhos, e até a minha filha, fazem o mesmo, só que embaladas pelos hits cristãos. Se antes as músicas cristãs estavam impressos apenas na harpa cristã ou no folheto da Missa, hoje é um produto cultural sofisticado, feito por profissionais. Por isso, também ficou caro e o acesso aos shows, quase sempre pagos, não é fácil a todos, assim como os dos outros artistas nacionais e internacionais. E como é função do Estado promover o acesso à cultura (à cultura que o cidadão quer, não aquela que se quer impor) é justo o apoio a eventos que facilitem a participação.

O governo começa a dar sinais para reconhecer as músicas religiosas como manifestação cultura. Em janeiro deste ano, a presidente Dilma sancionou lei neste sentido.  No DF o governador Agnelo seguiu o mesmo caminho e também sancionou lei regulamentando o repasse de recursos ou apoio para eventos religiosos. São sinais inevitáveis da importância desses artistas para a vida das pessoas.

A vendagem de CDS e DVDS também ajuda a entender em que universo se insere a música cristã no país. Entre as 20 produções mais vendidas estão cinco Padres, dois pastores, a banda evangélica Diante do Trono e a cantora gospel Damares. Os dados são da Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD) divulgados em junho deste ano. Isso sem contar com as produções independentes cujas vendas são difíceis de apurar. O líder de vendagem é o padre Marcelo Rossi, bem à frente de Paula Fernandes, Luan Santana, Marisa Monte e Beyoncé.

Outra importante distinção a se fazer é em relação ao Estado laico, o que foi uma conquista necessária para o desenvolvimento político, social e religioso da nação. A diferença é que antes o Estado financiava e mantinha a Igreja em uma relação muitas vezes imoral e corrupta, para ambas as partes. Mas agora, ninguém está defendendo que os cofres públicos banquem estruturas ou salário de padres ou pastores. O que se defende é que se há parte de recursos destinada à promoção da cultura que ela seja distribuída de forma equitativa e justa.

É verdade. O Estado é laico, mas o Brasil tem a sua imensa maioria de pessoas cristãs. Que pagam seus impostos, indistintamente, portando, portadores de direitos, inclusive a ter acesso à sua cultura, a cultura cristã.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Problemas na ciclovia do Gama

Na sexta-feira da semana passada (17/8), estive na Administração Regional do Gama a fim de alertar para alguns problemas que verifiquei na construção da ciclovia do Gama. A obra vai ao encontro das expectativas dos usuários de bicicletas que se arriscam diariamente entre os carros que transitam na cidade. Faz parte, também, de um projeto global do GDF para integrar modelos tradicionais de transporte ao cotidiano do cidadão. Aliás, a cidade do Gama está prestes a se ver livre de um modelo de transporte arcaico e ineficiente, por um novo, executado pelo atual governador Agnelo Queiroz com uma imensa obra do Veículo Leve Sobre Pneus, já em execução, e a licitação de ônibus já em andamento.

Mas atenho-me novamente à ciclovia. A obra está sendo executada (ou licitada) pela Novacap, mas espero dos gestores da administração do Gama que interfiram em um processo que, ao meu ver, está trazendo alguns danos e legando um perigo futuro para os usuários da via. Primeiro não entendo o motivo de a ciclovia está sendo construída no canteiro central das vias com tantas áreas livres à margem das mesmas. O chefe de gabinete da RA II, Alan Valim, justificou com dois motivos: primeiro, as árvores serviriam de sombras para os ciclistas. Segundo: o novo modelo de acessibilidade prevê as áreas centrais com bicicletas e as laterais com calçadas. Tem lógica, mas sob meu ponto de vista os argumentos não se aplicam a uma cidade de 52 anos, com uma dinâmica já estabelecida. Como exemplo vou citar a avenida da Ambev. Os pedestres já caminham pela calçada na área central, usufruindo inclusive da sombra das árvores. Ali vai ser ciclovia? e os pedestres vão para onde? Quem conhece o Gama sabe que seria mais lógico preservar a calçada dos pedestres e fazer a ciclovia na área marginal, sentido Gama/Plano Piloto.

Na área central da cidade, outro problema. Já existe uma ciclovia, que necessitava apenas de revitalização. No entanto, outra está sendo feita, destruindo toda a avenida central. O argumento da arborização para os ciclistas aí também não cabe, já que são poucas as árvores que propiciam sombra. Pior: a ciclovia vai fluir para o balão da feira, o que vejo como um grande risco para os ciclistas no futuro.

Na avenida que corta a quadra 1 do setor norte e o Estádio Bezerrão o problema continua: muito espaço na lateral, sentido Fórum/Feira e mesmo assim a via central está sendo cortada, em um zigue-zague horrível até o início do Gama. Sei que alguns moradores já se manifestaram e muitos silenciam-se sem saber exatamente que obra é aquela. Curioso é que no Plano Piloto e no Sudoeste, a ciclovia não está sendo construída na via central, mas na lateral da vias. Não dá para entender o critério diferenciado para as cidades "satélites".

Por fim, registro as críticas aqui como apelo, já que muitas pessoas que me conhecem cobravam-me um posicionamento crítico, como outrora tive perante outros governos. Me desculpe o engenheiro que fez o projeto da ciclovia do Gama. Mas me parece ter sido alguém que abriu o mapa da cidade apenas, sem nunca ter posto os pés aqui. Haja visto a previsão de a ciclovia cortar todo o comércio do Gaminha, também pelo centro da via. Como? Também estou curioso para saber.

Solicito ao administrador do Gama, Márcio Palhares, e ao presidente da CLDF e ex-morador do Gama, deputado Patrício, que façam as intermediações necessárias. Se considerarem pertinente.