Todo mundo conhece a história do Narciso, aquele que se apaixonou pela própria imagem refletida pela água. Daí surgiu o termo narcisista àquele que só olha para si mesmo.
Imagem é um termo muito utilizado em tempos de política. Uma imagem positiva, em tese, garante quantidade importante de votos aos candidatos. Mas cuidado para não cair na tentação de Narciso.
Levanto-me pela manhã, faço a barba, tomo banho, escovo os dentes, ponho minha melhor roupa. Olho no espelho e, como estou de bom astral, acho-me bonito. Na rua e no trabalho não faço tanto sucesso como acho que aconteceria, depois de tanto capricho e aquele perfume sofisticado que ganhei de uma amiga. Ninguém (interessante) me olhou, nenhum elogio. Resultado: frustração no final do dia. Afinal, tanto empenho, tanto capricho e nada.
Assim sentem-se muitos candidatos pós-eleição. Por quê? Porque confundiu imagem com identidade, mal de Narciso. Tem gente que, invadido pela arrogância e pelo encantamento com a própria imagem refletida no espelho, não perde tempo em ouvir os outros, de pesquisar qual é a visão (a imagem) que os outros têm dele. Não basta você gostar de você, são os outros que devem. E têm que gostar o suficiente e ver em você as qualidades necessárias para lhes depositarem o voto.
Portanto, antes de sair na rua, pergunte a alguém se o seu perfume não está mais forte do que deveria ou se a sua camisa não está um pouco démodé. Pergunte aos amigos (aqueles tão sinceros que têm coragem de dizer que você está errado) se são realmente boas as suas idéias e se você realmente é o que acha que é. E mais importante. Antes de achar que tem 10, 15 ou 20 mil votos, pesquise se realmente tem tantas pessoas dispostas a votarem em você. Isso para não perder tempo e dinheiro com delírios. E nunca mais confunda: imagem não é o que se vê no espelho, mas o que as pessoas vêem através da vidraça.