Qualquer dona de casa é capaz de afirmar, pelos anos de experiência, qual o melhor sabão em pó, qual a melhor esponja de aço. E não é só propaganda de marca: os produtos funcionam mesmo. O que faz o consumidor retornar à prateleira e comprar, e às vezes titubear muito ao arriscar trocar de marca é que os produtos acima cumprem realmente o que prometem: roupas mais brancas no primeiro caso; brilho radiante, no segundo. Paga-se até mais caro por isso, mas há a certeza de que não haverá arrependimento.
O político elege-se pelas promessas que faz, mas só sobrevivem aqueles que cumprem o que prometem. É regra, vale para todos! O que diferencia um aspirante a cargo público eletivo de outro é justamente a sua capacidade de prometer e de fazer cumprir: nem todo eleitor ou consumidor cai em balela. Mas quando vacila, não volta, ou melhor, não vota mais.
Todo político é um produto social. Assim como os bens de consumo são fabricados em um determinado local, por um grupo de máquina e/ou pessoas. É a partir dessa premissa básica que conhecemos o candidato. Não encare o termo produto como algo pejorativo. Pense nos benefícios que você tem diariamente com os bens que lotam sua prateleira, que alimentam sua família, garantem higiene à sua casa. Mas, antes de votar, lembre daquele produto que não deu certo. Você arriscou, era barato, muito em conta, mas ineficaz: perdeu dinheiro!
Um político é fabricado em uma igreja, por um grupo de empresários, pela militância de trabalhadores, na sala de uma escola, em um palco, em um palácio, em um casebre, no quartel, no bar, na família, na televisão, no rádio. Um político também pode ser construído por um marqueteiro e não ser de ninguém, apenas dele mesmo. É muito fácil saber de onde eles vêm, é só perguntar. Alguns até estampam orgulhosos suas origens.
Com raras exceções um produto político nasce para atender a demanda do grupo social de onde surgiu. Se as promessas dele estão condizentes com sua origem, provavelmente delas será cumpridor. Tem-se aí a expectativa de que falamos de alguém honesto. Uma ou outra promessa do produto político pode se afastar um pouco do seu eixo de origem, o resto é balela, conversa fiada de um produto que não vai realmente atender as necessidades do consumidor eleitor.
Poderia citar alguns exemplos, mas em tempo eleitoral vão dizer que estou jogando contra um ou outro. Então deixo para o leitor pensar, como consumidor, pois é, infelizmente, por muito mais inteligente do que o anterior.
E as expectativas do cidadão são muitas. As necessidades básicas de comida (melhor salário), conforto (moradia), saúde (saneamento, hospital, lazer) cultura. A ascensão social e o reconhecimento são necessidades que também precisam ser cultivados por meio da política. Pena que muita gente se foca apenas neles. O resto ( ou seja, nós) é que se exploda.