quinta-feira, 15 de abril de 2010

Sem remorsos...

Os brasilienses assistem, atentamente, a série de entrevistas concedidas pelo maníaco de Luziânia. O pedreiro Ademar Jesus matou seis jovens e não demonstra nenhuma dor, nenhum remorso com o que fez. Com muita tranquilidade, explica os detalhes, os porquês de seus atos.
Como de hábito, a imprensa ouve as autoridades policiais e políticas, já que os crimes entraram na esfera federal envolvendo, inclusive, membros da CPI da Pedofilia no Congresso. Ouvidos também os especialistas: psicólogos, psiquiatras e religiosos. Todos têm uma explicação para os distúrbios psicossociais de Ademar.
O homem, por ser animal, nasce instintivo. E morre assim também. Instinto, emoções são bem mais fortes que a razão. Nascemos emotivos, a razão é moldada pela sociedade, pela família, a fim de controlar nossos desejos mais profundos. Dizia a um amigo católico que a gente só erra porque o erro nas dá prazer. A transgressão fascina o homem, mas é a família, a religião e a sociedade que nos dizem não. Dúvida que os homens têm prazer em matar?
Dizem que a dureza da vida endurece o coração. O hábito também. Pergunte a um estudante de medicina qual foi a sensação de seu primeiro contato com um cadáver, ou com alguém jorrando sangue. Boa parte vai trazer um péssima recordação. Mas com o passar do tempo, sentimos a classe fria diante de várias enfermidades e até da morte. A razão se sobrepôs à emoção. O hábito de fazer, de ver o mal a cada dia, faz a pessoa mais petrificada diante dos infortúnios da vida.
No ano passado, assisti parte do julgamento de um homem que matou a ex-mulher. O depoimento do réu fazia qualquer um duvidar se ele realmente teria cometido tal crime, não fosse o flagrante. Um homem amável, meigo e sem remorsos.
Não sei realmente se isso tem a ver com uma anomalia cerebral como tentam justificar os especialistas. Os psicopatas são doentes, verdade. Não dá para contestar o aparato científico. Mas qual a diferença do psicopata, sob o ponto de vista social, daquele que já se acostumou a matar. Visite um presídio e ouça histórias de presos que mataram, estupraram, sequestraram. Não há remorso, sentimento de culpa. O discursos não vão diferir em nada ao do pedreiro Ademar.
Não existe neles mais emoção, apenas uma razão que eles moldaram a fim de justificar os seus próprios atos.