quinta-feira, 15 de julho de 2010

Senador denomina eleitores de “clientes”. Nada mais apropriado.

A mudança de alguns paradigmas é fundamental para o nascer pleno da democracia, apesar dos avanços no que concerne à participação popular. Até o primeiro terço do século passado, pouco mais de 6% da população tinha direito ao voto. Hoje, felizmente, é universal. Mas antes disso, tivemos que vencer a fase em que devíamos pegar apenas um pé da botina e o outro somente após o pleito, depois de garantida a eleição do coronel.

Em entrevista recente na rádio Comunidade FM do Gama, concedida à minha pessoa, o Senador candidato à reeleição Cristovam Buarque disse que os eleitores devem ser tratados como clientes. É, sem dúvida, um novo modelo de gerir o Estado, já que governos costumam ver os eleitores como algo importante somente na hora do voto.

O cidadão é o cliente, de início, porque é ele que provém o Estado de recursos. É do bolso do cliente-eleitor que sai o salário dos políticos, dos médicos, dos policiais, dos professores. O bom empresário, quando vê no indivíduo um cliente sabe que daquela fonte é que sai o sustento da sua empresa, dos seus funcionários, da sua família. Por isso, trata-se bem o cliente, para que ele volte e fale bem da sua empresa, indique a amigos.

Ter o cidadão como cliente implica atender as suas necessidades. Infelizmente os políticos tendem a ser tornar os conhecedores do bem e do mal depois de vencerem as eleições. Sonham com um projeto, colocam na pauta no dia seguinte. E onde fica o cidadão? Será que tal projeto é uma necessidade da sociedade, de um grupo importante, ou de apenas um nicho clientelista?

As empresas quando vão lançar um produto fazem uma pesquisa de mercado, a fim de saber qual será a recepção do público, se ele está disposto a um sacrifício financeiro para adquiri-lo. Seria bom se o futuro governo e as nossas respectivas Câmaras, que querem enxergar o cidadão como cliente, também consultassem o eleitor sobre as suas expectativas e seus desejos, já que as necessidades bons institutos de pesquisa podem apontar.

Um comentário:

  1. Ele é muito contraditório. Cliente é uma palavra que expressa uma relação comercial, portanto, oriunda do capitalismo onde as pessoas são vistas como individuos. Há poucos dias, numa reunião de campanha, o Cristovam disse que ainda sonha com o socialismo e que continua lutando para implantá-lo no nosso país, embora ache que isso só vai acontecer daqui a 50 anos. No socialismo a palavra chave é cidadão.

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